sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ms de minha vida

Indo para o trabalho hoje à tarde eu passei em frente a uma loja que levava o sobrenome - incomum - de uma garota com quem estudei no Ensino Médio. Ao ler aquele nome eu fui imediatamente transportada para o ano de 1998, quando nós estávamos concluindo o curso; tínhamos 17 ou 18 anos  e nesta idade a vida ainda não tinha se mostrado carregada de tensões. Nossos problemas mais sérios eram as provas, inscrições para o vestibular, despedidas de colegas de turma, no máximo um namoro terminado ou a separação de alguns pais... era o tempo das calças saint-tropez coloridas em tons de néon (já falei disso aqui), tempos de Skank, tempos de descobertas.. amizades que se proclamavam eternas, mas que não venceram sequer o ano seguinte, cada um tão ocupado em se fazer gente grande..
A menina de que me lembrei  chamou a atenção de todos nós, na escola, porque aos dezessete anos havia começado a namorar um homem de 33 anos e logo ficou grávida.. casaram-se e ela perdeu o bebê por volta dos 7 meses de gestação. O casamento terminou, ela não concluiu os seus estudos e em breve ninguém mais se lembrava dela. Nem mesmo eu.. fui despertada para sua lembrança por causa de uma placa comercial que levava seu sobrenome.. quase 14 anos depois essa história volta à minha mente e me faz pensar no que lhe aconteceu depois de tanto tempo. As marcas que o passado lhe deixou teriam sido profundas demais? Que rumo deu a sua vida, depois do sofrimento a que foi precocemente submetida?
Enquanto nos preocupávamos com shows, namoros, exames admissionais em faculdades ela teve que lidar com um relacionamento verdadeiramente conturbado (não era nada daquele nosso sofrimento platônico por alguém ou mesmo a montanha-russa de nossos namoros adolescentes), a possibilidade de ter um filho, esperá-lo por vários meses e ainda assim não ter tido a chance de vê-lo em seus braços.. a história de M revirada assim na minha cabeça, por causa de uma simples placa, fez com que eu me sentisse um tanto mal por nunca mais tê-la visto, sequer ter me dignado a procurá-la, saber de suas histórias, ajudá-la de alguma maneira.. Algumas pessoas ficam pelo caminho, nos perdemos.. Por vezes podemos julgar que tenham sido sem importância, mas lembrar delas tanto tempo depois não significa algo? Tive muitas e muitos Ms em minha vida! Lembranças que do nada são avivadas me confundem um pouco. Por onde andarão?

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