Acordei me lembrando que por volta dos meus sete anos decidi fugir de casa. Não porque fosse mal tratada ou me faltasse carinho, mas porque era egoísta e não queria dividir mais nada com meus irmãos. Desisti da idéia quando meu avô me ofereceu uma Pepsi a caminho da porta da sala. Por estes motivos inexplicáveis que orientam as escolhas de cada dia, em casa quando se bebia refrigerante, a eleita era sempre Pepsi. Meu avô lavava a garrafa, fazia um furinho com um prego na tampinha e bebíamos o refrigerante colocando um canudinho ali dentro, enquanto nos balançávamos tresloucadamente em redes de pano. As redes eram listradas, coloridas, colocadas de frente uma para a outra. Passávamos horas ali em cima, brincando de mil coisas. Numa ocasião elas eram naves, foguetes, aviões. Em outras eram cavalos, carros e motos. Também se transformavam em trapézios.. Em outros momentos elas eram apenas redes mesmo! Onde nos sentávamos pra bebericar nossas Pepsis geladas até o enjoo chegar, afinal, refrigerantes balançavam muito dentro das barrigas de dois irmãos que quase não se cansavam de brincar! Sinto saudade dessa época quando nossas vidas eram tão conectadas. Embora naquela idade eu achasse que não queria dividir nada com eles, foi essa convivência que me fez ser uma pessoa melhor hoje em dia. Essa vivência de Pepsis e redes na infância..

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