Outro dia eu estava dirigindo e vi um casal sentado na beira da estrada. Eles tinham várias bolsas, sacolas, caixas, panos de todas as cores estendidos pelo chão. Era a típica cena do casal de andarilhos, que sem ter onde morar vai ficando onde dá, caminhando ao sabor do vento, sem raízes. Donos apenas de seus trecos e de suas escolhas vão parando quando querem, caminhando da mesma forma. Naquela hora, mil e uma questões passaram pela minha cabeça, todas elas carregadas de minha racionalidade de pequena burguesa, mas falou mais alto em minha mente uma voz que gritava aplaudindo o que de mais lindo eles faziam: CONVERSAVAM. Uma daquelas conversas que se tem estirado, com a cabeça pendendo numa preguiça anunciada, sem pressa de dizer as palavras. Em seguida observei a segunda coisa mais linda que faziam: SE TOCAVAM, numa cumplicidade deliciosa! Percebi o carinho nas leves cutucadas que ela lhe dava enquanto falava e ele, ah, ele SORRIA de volta pra ela.. ali na beira da estrada, meio embrulhados em seus trapos, não havia nada que tirasse a beleza daquele casal entregue um ao outro. Fiquei pensando no quanto complicamos nossas histórias.. às vezes são pequenos detalhes que nos contrariam, tiram a graça que antes enxergávamos na companhia do outro. Perdemos tempo demais silenciando, quando a vida deveria ser repleta de palavras, gestos, aproximações. Por vezes bastaria sentarmos no chão ao lado do outro, deixando a cabeça pender, as reservas caírem, a vergonha esmorecer, pra conversarmos de verdade sobre tudo aquilo que é nosso, que nos faz, que nos amedronta. Olhando aqueles dois eu pude perceber que vale mais não ter raízes, se for pra que elas estejam plantadas em nossos corações.. vale mais não ter posses, se for pra que ajuntemos AMOR.. Fiquei pensando no que falavam, sobre o que confabulavam aqueles dois despreocupados seres andantes, ali sentados, conversando e tocando o presente de si mesmos.. confesso que naquele momento eu pude invejá-los.. pela simplicidade, calma e senso de oportunidade. . . O dia lindo pedia uma boa conversa tocada, sentida, percebida, desejada!! E eles souberam - sabem lhe aproveitar..
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Sair de cena pulsando num ritmo próprio
Saber quando sair de cena por uns tempos é de uma elegância sem precedentes. Às vezes sua imagem fica desgastada e é realmente necessário se recolher aos cantos mais secretos do seu coração. É por lá que conseguimos nos curar de algumas dores que já estavam teoricamente curadas, mas ainda pulsavam num ritmo quase inaudível para quem estava em cima do tablado, ocupado demais com as encenações dos dias. Saia de cena. Escute o que está pulsando dentro de ti, desocupe sua mente das obrigações, dos sorrisos forçados, das inseguranças dos outros. Olhe pra si. Este pode ser o seu tempo. Tempo de chorar o que quiser chorar, tempo de ter medo, tempo de desejar.. não se preocupe em ser vista, deve ser ouvida, amada, respeitada.. deve ser você mesma com todas as suas complicações. Desconsidere as complicações do outro. Olhe pra si mesma. Sorria em meio a lágrimas, lágrimas que são tuas e de mais ninguém. Lágrimas que não podem ser desconsideradas. Não se preocupe em sair. Saia. Chore. Sinta. Faça falta. Por certo alguém há de sentir tua falta. Corra pra dentro de si. Saia de cena. Isso é precioso nesse momento. Não dependa de ninguém. Escute seu coração pulsando. O ritmo é seu. Sempre deve ser SEU.quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Harmoniosos hormônios??
Acho que nunca esperei tanto por um weekend.
Sabe aquela semana em que tudo acontece ao contrário do que você esperava?
A minha está sendo assim..
Dá vontade de parar com tudo ainda na terça feira e buscar refúgio entre os lençóis.
A dieta não deu certo, o cabelo esteve horrível (a despeito de todos os produtos e/ou tentativas para torná-lo passável), a pele amanheceu cheia de espinhas (uma delas conseguiu transformar-se em queimadura - culpa de tanta coisa que você passou na cara menina!!) e não houve quem conseguisse se aproximar sem levar ao menos uma mordida.. claro que tem a ver com TPM, mas confesso que é uma chateação ficar à mercê dos hormônios (se não posso controlar ao menos meu humor, que dirá a minha vida??)..
Rejeito a idéia de que uma vez ao mês eu me torne uma megera insuportável e descontrolada.
Não enxergo roupa que se ajuste ao meu corpo (corro o risco de doar todo o meu guarda-roupa) e ao mesmo tempo não quero (nem posso) comprar nada porque tenho certeza que não farei isso antes de perder ao menos dez quilos..
Critico minha alimentação, meus amigos, meu carro, meu EU!
É impensável que isso tudo acontece dentro de uma semana que ainda está na quinta-feira e vai se prolongar até a metade da tarde de sábado, quando então, FINALMENTE, eu poderei me enfiar debaixo dos lençóis e dormir para acalmar meus hormônios-frustrados-e-enlouquecidos-à-espera-de-um-rio-de-sangue-que-lave-minha-alma-ensandecida..
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