sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Tiro no pé de uma caça-palavras

 Pela primeira vez em doze anos de uso eu fiquei com a impressão de que a internet pode ser um tiro no pé. Muitas vezes você diz coisas que em uma conversa ao vivo seriam interpretadas de outra maneira.. soariam menos dolorosas.. menos pesadas.. menos estáticas. A palavra escrita fica lá, pulsante, memorizando raivas, acusações, críticas, dúvidas, questionamentos, angústias. Quem dá o sentido é aquele que lê. Quem pede desculpas é aquele que escreveu. Na fala tête à tête a gente se entende, dança uma mesma música, se explica, interrompe o outro, corrige, gagueja, se pronuncia, dialoga. Mas na escrita não.. ela depende da leitura do outro e o outro quase sempre é tão complicado.. Mais complicado é viver um caça-palavras on line, quando sua frustração alcança o clímax e você desconecta cabos, modens, radios..versão pós-moderna de não responder as cartas ou bater o telefone na cara do outro.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Conversa fiada

Nós mulheres temos mesmo o dom de complicar todas as coisas.. não é a primeira vez que me pego dando voltas e mais voltas pra comunicar, pedir ou reclamar de alguma coisa com meu marido. Também não é a primeira vez que ele faz piada sobre isso. E eu, pra te falar a verdade, acho bom.. porque me desconcerta, me desanuvia, me desmonta. Principalmente quando é alguma coisa que pode virar briga e ele me faz ver que estou errada, sem precisar que gastemos horas e horas numa DR desnecessária.. às vezes basta um sorriso pra eu enxergar que a TPM está chegando e que ele merece sim um super abraço por me aturar completamente tresloucada. O bom da vida a dois é que ela te surpreende!! Conversa fiada pode se tornar pretexto pra boas gargalhadas.. cumplicidade que se estabelece e diminui o risco de rugas precoces.. os dermatologistas deviam prescrever tal fórmula!!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Silêncios

Silêncios são armadilhas perigosas. Eles chegam carregados de ecos.. ecos silenciosos que só você consegue ouvir. Eles são arrebatadores. Você enxerga muitos quilometros a frente, capta cheiros quase imperceptíveis, consegue ouvir teu coração bater. E os ecos gritam em tua mente.. silêncios perigosos que te fazem PENSAR. E os pensamentos carregados de ecos martelam verdades que você não precisa sentir.. A loucura de cada um, o dia que chega ao fim, a solidão que pesa o corpo, as palavras que devem calar. É tudo silencioso. Pesado. Louco. Nada mais apropriado para findar um dia estranho. Você já parou para se olhar hoje? Onde foi que ficou tua sanidade? No meio do almoço ainda era tu.. terminada a tarde já era outra, metamorfose iniciada, não conseguia mais se enxergar. Bastava o silêncio para te fazer reencontrada. Quieta. Estranha. Ecos. Ecos. Ecos.. o som vai ficando cada vez mais baixo.. apenas ouço as marteladas.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Quinze anos no mundo da lua

No último sábado fazia um calor quase insuportável quando eu e meu marido resolvemos dar uma volta de carro pela cidade, observando os nativos que se preparavam pras baladas da vida. Compramos uma pipoca e nos sentamos num banco à beira do rio pra conversar, rir, namorar um pouco. Foi quando um trio de meninas por volta de seus quinze anos veio caminhando em nossa direção, naqueles sussuros típicos da idade, claro que a conversa era entrecortada por inúmeras risadas, acompanhadas de alguns pulinhos que elas davam pra frente ou pra trás, dependendo (penso eu) do ritmo das histórias e confissões contadas. Aquilo me levou direto a um tunel do tempo, em meados da década de 90, quando eu mesma era uma garota de quinze anos, com um comportamento quase idêntico ao daquelas meninas que ali na beira rio eu observava.. Com quinze anos nos julgamos imbatíveis, tudo o que queremos é uma (ou várias) amiga (s) a tiracolo, jeans (naquela época os meus eram coloridos e saint-tropez) e muita maquiagem!! As amizades nos parecem fidelícimas.. os jeans confortabilíssimos.. e a maquiagem.. ah!! Essa é um verdadeiro escudo, através do qual nos sentimos as mais belas e maduras!! Têm os pés no chão, mas a cabeça na lua.. Pena que as coisas não permaneçam tão reluzentes.. dezessete anos passados eu me vejo um tanto quanto desconfiada em relação a quase todas as amizades, não posso nem mesmo passar perto dos tais jeans e a maquiagem deve ser mais discreta possível, apenas uma aliada.. Observo aquelas meninas (inclusive aquela que fui) com uma admiração profunda, pois elas verdadeiramente SONHAM com dias melhores. Elas enxergam futuros fabulosos para si mesmas, julgam-se senhoras de suas vidas e sua juventude é admirável!! Affonso Romano Sant'Anna tem um texto belíssimo sobre a  mulher madura (com esse nome mesmo), mas quem escreveu sobre a beleza diáfana, pura e ao mesmo tempo tresloucada das pequenas mulheres de quinze anos?? A beleza dessas meninas está na crença que têm na amizade, no amor, na vida. A beleza dessas meninas está em VIVER, viver confiantes e apaixonadas, certas de que a vida lhes concederá tudo.. mesmo que no futuro (tão distante que não se pegam a pensar nele como algo concreto, apenas um objeto do sonho) esse tudo venha a se configurar  na ruptura de seus sonhos adolescentes. Lindas essas nossas meninas risonhas de quinze anos!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Amigas

Saindo do trabalho passei no supermercado pra fazer um pouco mais do que compras: saquei dinheiro e paguei contas. Bendita seja a época em que os supermercados tornaram-se pólos de muitos dos afazeres da dona de casa pós-moderna.. não basta comprar legumes, temos que sacar a grana e pagar a conta de telefone (essencial para dar continuidade às conversas que alegram nossos dias, mesmo quando geograficamente elas não são possíveis). Sai do trabalho correndo, parei na universidade para resolver umas cositas e voei pro mercado, porque tinha que dar cabo do resto das coisas até as 17h. Quando me preparava pra começar a fazer minhas comprinhas (e quem me conhece sabe que eu detesto supermercados assim como detesto o verão) ouvi uma vozinha familiar  me chamando pelo nome e logo pensei (naqueles dois segundos que estatelam nossos neurônios): "Isso vai me atrasar"!! Fiquei morta de vergonha quando me dei conta de que estava fazendo careta (eu tenho essa péssima mania de franzir a testa e apertar os olhos quando estou contrariada - é quase um espasmo involuntário..) pra uma amiga querida (querida mesmo) e com quem eu não me encontrava tipo ha uns quatro anos.. Aquilo foi um castigo pela minha careta, tenho certeza.. era uma das amigas de faculdade, daquelas com quem a gente tem crises e mais crises de riso sem motivo algum, uma daquelas com quem você vai matar aula na cantina e só fica falando bobagens que envolvem os nomes dos professores, uma daquelas com quem você vai pras melhores (e piores) festas do Diretório Acadêmico, uma daquelas com quem você arrumou trabalhos idiotas só pra ter grana pra estar nas tais festas.. era ela.. uma delas.. a que tinha se casado e sido mãe antes de todas as outras.. a que tinha vivido experiências incríveis quando nós ainda estávamos às voltas com as maluquices da juventude pseudo-intelectual, cult, bla bla bla.. foi incrível encontrá-la e foi incrível ver que ela me reconheceu de longe (mesmo fazendo caretas), porque estou loira e ela ainda não tinha me visto assim.. foi incrível porque vi que ela ficou tão feliz de me encontrar quanto eu fiquei feliz de reencontrá-la. Fomos sinceras, carinhosas e apressadas. Tudo como deve ser. Boas amigas a quem a vida levou longe demais (sua maior conquista, a filha, já tem 5 anos), mas que não se esqueceram do carinho sentido, das experiências vividas, de terem crescido!!!  Sim, foi muito bom vê-la em meio a torradas e croissants querida!!!!