Ontem à noite eu fiquei com a sensação de que deveria ter me tornado a Mulher Maravilha.
Na mesma hora em que a idéia veio, consegui retirar do fundo da minha memória a lembrança de que na única vez na vida em que me fantasiei no carnaval (ainda na infância) foi com uma roupa de Mulher Maravilha. Eu simplesmente havia deletado isso da minha mente. Estava lá, é claro, escondido em algum canto obscuro e abandonado da minha época de criança, mas eu pude me lembrar.
Fiquei me perguntando porque naquele momento, por volta dos meus cinco ou seis anos de idade eu me sentia tão poderosa e imbatível com aquela roupinha mal feita da heroína.. os braceletes eram tão pobrezinhos que espetavam meus pulsos; o material era ruim mesmo e eles fincavam minha pele se eu me movimentasse. Eu não me importava porque não precisava me mexer, eu estava ali para ser admirada, principalmente por mim mesma.
Era fácil sentir-me forte, segura pela mão do meu avô, que me levava fantasiada para dar um passeio pelo centro da cidade. Eu ia inventando mentalmente mil e uma histórias, que iam se desenrolando à medida em que o passeio acontecia... ia incorporando os elementos com que nos deparávamos durante aquele trajeto "festivo". O carnaval ainda era tranquilo e os avôs ainda podiam passear com suas netas fantasiadas de Mulheres Maravilha.
Hoje em dia eu queria poder resgatar aquela sensação de segurança, de poder, de invencibilidade. Queria conseguir me sentir pronta para ser admirada (principalmente por mim mesma). Queria não ter medo de nada. Queria que uma simples roupinha desse conta de garantir minha alegria, porque, e apenas porque, minha auto-estima estava nas alturas, pois cercada de amor era a única maneira de me enxergar e sentir.
Tem dias em que eu precisava me sentir de novo a Mulher Maravilha.
Nossa, q texto lindo e q lembrança boa. Éramos felizes e não sabíamos. Bjs.
ResponderExcluirNossas lembranças são carinhos no meio da vida adulta, não são??
ResponderExcluirbeijos!@