quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cisnes negros


Hoje cedo, lendo um jornal local, encontrei essa foto, que anunciava o nascimento de cinco novos cisnes negros - da espécie Cygnus Atratus - no lago do principal museu da cidade. Fiquei pensando por que é que a diferença, até nos animais, ainda nos provoca espanto.
Estaremos ainda tão despreparados para lidar com a diferença?
Entendo que as  diferenças nos fazem crescer, pois nos ensinam tanto sobre outras coisas pra além de nós mesmos..
Fiquei pensando de que maneira fomos estabelecendo critérios para definir  o que é "normal".
A normalidade não seria uma convenção da maioria? E onde é que está escrito que a maioria tem sempre razão?
Afinal, o que é ter razão? Fazer parte da maioria?
Percebe-se que a reflexão toma o rumo da avalanche que impulsionada pela bola de neve vai derrubando tudo que encontra pela frente, provocando um verdadeiro boliche com os pinos que forem encontrados diferentes.
Uma coisa se apóia na fragilidade da outra e quando nos damos conta estamos rotulando com base na fragilidade de nossas convicções.
O diferente devia ser percebido em sua exuberância, na beleza de sua exoticidade, nos ensinamentos que pode nos propiciar.
O que me faz diferente de você não é o que pode me tornar querida para ti?
O que te torna diferente de mim não é o que pode me deixar perplexa e apaixonada por ti?
O que nos faz diferentes não é o que pode nos fazer superar deficiências/defeitos para nos aproximarmos?
O que nos torna diferentes não é aquilo que nos ensina a amar o outro?
Será que temos mesmo que noticiar os "cisnes negros" locais ou devemos enxergá-los como parte ainda mais bela de nossos museus particulares??
Você tem muitos "cisnes negros" para noticiar?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Mulher Maravilha



















Ontem à noite eu fiquei com a sensação de que deveria ter me tornado a Mulher Maravilha.

Na mesma hora em que a idéia veio, consegui retirar do fundo da minha memória a lembrança de que na única vez na vida em que me fantasiei no carnaval (ainda na infância) foi com uma roupa de Mulher Maravilha. Eu simplesmente havia deletado isso da minha mente. Estava lá, é claro, escondido em algum canto obscuro e abandonado da minha época de criança, mas eu pude me lembrar.

Fiquei me perguntando porque naquele momento, por volta dos meus cinco ou seis anos de idade eu me sentia tão poderosa e imbatível com aquela roupinha mal feita da heroína.. os braceletes eram tão pobrezinhos que espetavam meus pulsos; o material era ruim mesmo e eles fincavam minha pele se eu me movimentasse. Eu não me importava porque não precisava me mexer, eu estava ali para ser admirada, principalmente por mim mesma.

Era fácil sentir-me forte, segura pela mão do meu avô, que me levava fantasiada para dar um passeio pelo centro da cidade. Eu ia inventando mentalmente mil e uma histórias, que iam se desenrolando à medida em que o passeio acontecia... ia incorporando os elementos com que nos deparávamos durante aquele trajeto "festivo". O carnaval ainda era tranquilo e os avôs ainda podiam passear com suas netas fantasiadas de Mulheres Maravilha.

Hoje em dia eu queria poder resgatar aquela sensação de segurança, de poder, de invencibilidade. Queria conseguir me sentir pronta para ser admirada (principalmente por mim mesma). Queria não ter medo de nada. Queria que uma simples roupinha desse conta de garantir minha alegria, porque, e apenas porque, minha auto-estima estava nas alturas, pois cercada de amor era a única maneira de me enxergar e sentir.

Tem dias em que eu precisava me sentir de novo a Mulher Maravilha.




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mais um sobre intimidade







Na medida em que o dia foi acontecendo eu me peguei pensando mais uma vez sobre os efeitos da intimidade na vida de um casal. Talvez porque a cada dia eu me encontre mais "íntima" do meu marido (o que tem sido uma experiência incrível, para bem e para mal!), talvez porque eu ainda me surpreenda tendo necessidade de estar sozinha, o fato é que, mais uma vez, estou aqui a escrever sobre INTIMIDADE.
Meus instantes ao seu lado são sempre falados... e eu sou uma pessoa de poucas palavras... isso gera uma certa bagunça na minha cabeça e traz um pouco de cansaço... porque tem horas que tudo o que eu quero é ficar calada, em silêncio (e isso significa estar com a televisão, o som, o computador e qualquer outra coisa barulhenta desligados) e ele faz barulhos até com a língua estalando no céu da boca!
Um dos efeitos da intimidade que compartilhamos... preciso conviver com sons que nem sempre desejo, mas porque o quero por perto, consigo superá-los... neutralizá-los... diminuí-los...
Misturamos nossas roupas no armário, uso as meias dele por dentro de minhas botas, trocamos toalhas de banho, dormimos abraçados nas noites frias desse inverno... com tudo isso acontecendo não me importo tanto que ele estale, assobie, cante ou sussurre... o importante é que esteja por perto.
Quando durmo sozinha por causa de alguma de suas viagens a cama fica gigante e o silêncio (que tanto amo) se torna assustador. De repente me vejo ligando a TV, assistindo aos mesmos programas que ele tanto gosta de ver... sentindo falta de nossa INTIMIDADE.