quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Reflexo médico

Num dia destes eu prometo que vou me focar. Por enquanto deixa tudo assim disperso, meio às avessas que dá certo. Deixe que o dia passe e a vontade termine ou cresça, só não deixe que as lágrimas caiam. Melhor mesmo ficar assim anestesiada, querendo mel e hortelã, um pouco de doce ardendo na língua. Nem eu mesma gosto, mas é assim que desce, o importante é seguir em frente sem parar jamais. Tem dias em que não dá pra pensar nada, nem sonho dá pra sonhar, porque a noite é rápida e não sentir nada é a melhor opção. Dá pra sorrir em algumas conversas, com algumas pessoas dá pra  ficar entediada. Mas você tem senso de responsabilidade, é educada e sabe se comportar, dançar conforme a música, encontra-se bem afinada. Não quer  dizer que por dentro esteja pulsando, mas não dá pra pulsar sempre. 
Tem horas que é melhor NÃO SENTIR NADA. Abre bastante os olhos que vai passar a criançada correndo, gritando, chupando balas, é a cena mais linda de se ver por aqui, não dá pra sofrer assim, vendo essa molecada crescer, sorrir, chorar. O melhor do adulto é o tempo que ele passa criança, imaginando os sonhos da vida inteira, que o acompanham. Às vezes se calam, mas continuam lá, acarinhando a alma, quando ela fica pequenininha, indiferente, calada. Hoje é dia de comer salada, manter a boca fechada. Cruze as pernas assim meio de lado, porque assim é mais educado, você vai sorrir e falar quando te for solicitado. Passa o dia, vai. Chega a noite, vem. Dá-me mais um comprimido adocicado que vou ter um sono abençoado e acordar amanhã de manhã pra mais um dia meu. Vida comprida!!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Oração de todos os dias



Eu não quero me acostumar com a violência, com a mentira, com a traição, com a dor, com as injustiças.
Não posso achar essas coisas normais.
Minha oração nesse dia é para que Deus não me deixe endurecer. Pra que Ele me use como ajudadora daqueles que precisam de mim. Pra que eu tenha as palavras certas – não minhas, mas Dele – na hora em que eu precisar consolar alguém. 
Que Ele me use para dar carinho.
Que eu consiga proteger, cuidar, amar. Amém. 
Senhor, cuida dessas crianças, meu Pai. Cuida dessas crianças que têm se perdido em meio às drogas, em meio à violência, ao sexo. Cuida dessas crianças que têm vivido coisas duras demais. Cuida dessas crianças que sofrem, que doem, que choram, que não têm ajuda, que gritam por socorro. Cuida dessas crianças que erram. Cuida dessas crianças que não temos cuidado, que não temos protegido de nós mesmos. Cuida dessas crianças que têm sua infância saqueada. Cuida dessas crianças que têm seus sonhos roubados. Cuida dessas crianças que perdem a inocência porque o mundo pesa sua mão sobre elas. Amém.
Renova nossos sonhos apesar da dureza deste mundo, meu Deus.. Amém.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Romeu e Julieta

Poucas vezes na vida temos a oportunidade de ver como é que nasce o amor dos outros.. o que é uma pena, pois é algo lindo de se ver, em qualquer idade. Há alguns dias tenho observado um casalzinho de adolescentes se aproximando.. confesso que ao notar o cheirinho de amor no ar comecei a prestar mais atenção em cada um dos passos destes dois. Primeiro porque é meu dever, devido ao trabalho, tomar conta pra que nenhum excesso ocorra (ah os desvarios do amor..) e em segundo lugar porque é bonitinho demais ver como as mãos vão se aproximando, perceber como os sorrisos vão se falando e enxergar de que maneira as palavras se tornam desnecessárias diante da vontade que se tem de estar perto do outro sem que os demais percebam o que está acontecendo.. e é exatamente aí que eles dão a maior bola do que começam a viver.. Aos poucos eu fui notando que se afastaram dos colegas e que agoram comem juntos, tentam se fazer parecer enfadados um do outro (amor-segredo é bandeiroso como sempre..) e ficam ali lado a lado durante todo o intervalo, simplesmente desfrutando da presença daquele/daquela com quem querem passar todo o resto das aulas.. Daqui a pouco não será mais possível negar o envolvimento.. pelo pouco que conheço dos dois não será um amor fácil de levar adiante.. as famílias podem não aceitar.. existem diferenças de peso envolvidas ali.. mas nem por isso meu Romeu e minha Julieta adolescentes deixam de ser menos admiráveis enquanto se descobrem enamorados.. Fiquei pensando nas juras de amor que em breve irão trocar, nas manobras que terão que criar para conseguirem se ver.. e minha cabeça começou a voar.. por certo todos os amores parecem eternos.. e quando somos adolescentes tudo é tão definitivo - até que mude a estação e mudem nossos pensamentos.. Como este amor vai se desenrolar? Quantas vezes ainda passarão por este aproximar de mãos, rostos, sorrisos? Quantas vezes ainda acharão que "este sim é para sempre"? Quantas vezes serão consolados por um "para sempre" que se mostrou breve demais?? Vale à pena enxergar a esperança destes Romeus e Julietas adolescentes por detrás de suas fugidias aproximações.. quando até mesmo um recreiozinho de quinze minutos numa manhã de inverno nos mostra que vale à pena sim acreditar no amor.. em qualquer tempo, em qualquer idade..

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Nunca desista..

"Nunca desista das coisas que fazem você sorrir"!
A frase é perfeita, embora na "vida real" o discurso nem sempre possa ser tão otimista quanto o texto.
Às vezes é difícil que o bom ânimo resista a um período - interminável - de TPM, doencinhas ou falta de grana. Às vezes é difícil aturar uma dieta que não apresenta resultados, a força de vontade quase nula, o - péssimo - hábito da procrastinação - adiar e adiar e adiar tudo aquilo que você sabe que TEM que fazer.
Todas estas pequeninas coisas, somadas a outras tantas - tão maiores - fazem com que aos poucos nossos sorrisos murchem, até ficarem tão pequenininhos que já não podemos mais encontrá-los. Esses dias eu estava assistindo a uma antiga série de televisão, que amo de paixão, e fui surpreendida por uma observação do meu marido:
-"Se a série é tão engraçada e todo mundo ri no fundo, por que você fica assistindo o tempo todo com essa cara tão séria"?
Bomba hiroshimiana jogada dentro de  mim!!
Não sei se ele percebeu o impacto do que disse - acho mesmo que não - afinal eu disfarço bem minhas impressões.. mas o fato é que ele me fez ver - e olha que não foi a primeira vez.. - que ando séria demais, preocupada demais, tensa demais.. demais, demais, demais.. precisando me tornar mais leve.. 
Talvez eu esteja abrindo mão das coisas que me fazem sorrir. Nunca há temmpo, nunca é conveniente ou adequado. Nunca é possível. Os motivos para evitar sorrisos? Tantos que me faltariam dedos nas mãos para enumerá-los.. mas essa não é uma particularidade minha, o mundo inteiro precisa reencontrar esssa alegria despreocupada de um final de tarde com sorvete, de uma história contada em meio a risadas, de um cheirinho de bolo perfumando a casa.. Sorrisos que eram produzidos em larga escala na infância - por isso amo me lembrar das baguncinhas desta  fase - e que agora já são raros.. quase se tornaram sinônimo de imaturidade.. O preço que pagamos por nos tornar adultos é caro demais. Abrimos mão das coisas que nos fazem sorrir.. deixamos pra trás a bobeira tresloucada e juvenil de madrugadas passadas em claro apenas para compartilhar histórias e mais histórias, viagens feitas sem planejamento, passeios inesperados, entardecer sentados na grama assistindo ao pôr-do-sol.. desenho animado na televisão, pote de sorvete, colherada de brigadeiro, beijo na boca, andar de mãos dadas..
O que te faz sorrir? Ainda consegue se lembrar?
A partir de hoje quero resgatar meus sorrisos.. eles devem estar escondidos por aí, atrás das cortinas do quarto, debochando singelamente de mim..

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

As novelinhas da tarde

Quando era criança, achava bom passar mal na escola uma vez ou outra, ainda que de mentirinha, pois chegava em casa bem na hora do "Vale a pena ver de novo".. Conseguia assistir um pouquinho da reprise das novelas.. Era a hora em que o avô coava o café da tarde. Tentava ver a Sônia Braga de Gabriela, mas a mãe não gostava que eu visse - e hoje entendo porque.. : "Vai deitar, menina, que você está passando mal"! - e eu só ficava ouvindo de longe: "Ô Gabrieeeeeeela"! enquanto tomava meu café quentinho na cozinha..

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Post-it mentais

Minha mente é cheia de "post-it" que nunca perdem a cola. Estão lá desde sempre. Alguns são felizes, outros encorajadores. Mas também existem aqueles do tipo "gato escaldado tem medo de água fria", são os que me lembram que não é bom brincar com fogo e até mesmo que existem certas amizades puramente "oncíferas" - das boas e velhas amigas da onça.. O fato é que estes lembretezinhos auto-adesivos (tem hifen aqui ou não? Não consigo memorizar as "novas" regras, há resistência em mim!) se amontoam em minha cabeça - imagino o prisma de cores "postitais" ali dentro. No entanto, sempre existe espaço para mais um.. eles vão se apertando, sobrepondo-se uns aos outros - será que é nessa hora que minha cabeça começa a doer? - espremendo-se e de repente.. fica tudo "organizado" outra vez. Claro que é uma "organização" muito específica e que quem olhasse com outros olhos que não fossem os meus, poderia não entender nada. É que eu sou mesmo assim: às vezes incompreensível, às vezes previsível, às vezes divertida e muitas vezes enjoada. Defendo-me, porém, dizendo que, meu estado de espírito, geralmente está ligado ao tipo de post-it que foi pra frente do murundu de adesivinhos que estão dentro de mim. Impossível negar a força das memórias. São elas que nos ensinam, que nos estimulam, que nos fazem fugir ou esconder. Já falei um pouco em outro post sobre o "peso" do passado, quem lê o blog deve se lembrar.. Memórias são fios de todas as cores - no meu caso prefiro incorporar a idéia dos post-it! - conectados e ao mesmo tempo embolados, podendo fazer a coisa toda funcionar ou dar um tremendo de um choque! Minhas recordações compõem aquela que hoje sou.. com elas aprendi, cresci, mudei. Muitas outras experiências serão incorporadas à babel de minhas lembranças e por isso sei que no futuro serei uma pessoa ainda mais difrente da que já sou, talvez melhor, espero que sim. O bom de viver é que a gente muda. Ainda bem que mudamos. Embora existam aqueles que resistam - mais do que eu às "novas" regras ortográficas - resistam a todo e qualquer tipo de mudança que possa fazer com que se tornem pessoas ao menos mais "palatáveis".. preferem o azedo.. puro limão.. Volto a dizer, uma coisa é você ser feito de histórias, histórias que te empurram pra outros cantos.. outra coisa é você permitir que estas histórias te façam ver as mesmas cenas sempre e sempre, sem que nada se modifique. Ops, lá vou eu me perdendo do foco.. meus post-it!! Esta noite tive um sonho muito estranho: sonhei que o lugar onde estava havia sido todo desolado por algum tipo de situação da qual não me recordo. A casa estava no chão, mas todos os móveis e objetos intactos. Eu precisa escolher o que tirar dali, havia pouco tempo para me decidir. Sem nem pensar duas vezes corri até o armário onde eu guaradava as fotografias da família e de meu casamento e levava comigo as fotos e alguns documentos, dentre eles minha certidão de nascimento e a de casamento. E eu ia embora, tranquila. Sem peso na consciência por deixar todo o resto. Numa interpretação "daniellística" do sonho ouso dizer que é o que me importa, sempre, minhas raízes, minha história, minhas lembranças. Lembranças que se tornam identidade. Experiências que me são tão caras.. sempre! Por isso nesta manhã, antes de preparar o almoço - cujo desenrolar resultou em uma unha cortada - resolvi evocar meus post-it  mentais.. eles são meus documentos verdadeiros!!!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Quem e quando mesmo?

O perigo é planejar demais.. Você perde horas do dia idealizando a situação - cujos detalhes não se justificam explicitar - se esforça, contorna armadilhas, quase deixa tudo degringolar, mas dá a volta por cima.. Alguns fios de cabelo branco a mais e você conseguiu chegar inteira ao final do dia..  Contrariando todas as expectativas, em questão de segundos, as coisas azedam mais do que a massa de tomates esquecida fora da geladeira. Pow! Já era o momento, já eram os planos, você já era.. fácil assim.. Momento perdido, o jeito é deixar tudo para uma outra ocasião.. talvez as coisas ocorram mais expontaneamente - será possível? - e você aprenda que planejamento fica bem para.. bom, para quem e quando mesmo?