quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Romeu e Julieta

Poucas vezes na vida temos a oportunidade de ver como é que nasce o amor dos outros.. o que é uma pena, pois é algo lindo de se ver, em qualquer idade. Há alguns dias tenho observado um casalzinho de adolescentes se aproximando.. confesso que ao notar o cheirinho de amor no ar comecei a prestar mais atenção em cada um dos passos destes dois. Primeiro porque é meu dever, devido ao trabalho, tomar conta pra que nenhum excesso ocorra (ah os desvarios do amor..) e em segundo lugar porque é bonitinho demais ver como as mãos vão se aproximando, perceber como os sorrisos vão se falando e enxergar de que maneira as palavras se tornam desnecessárias diante da vontade que se tem de estar perto do outro sem que os demais percebam o que está acontecendo.. e é exatamente aí que eles dão a maior bola do que começam a viver.. Aos poucos eu fui notando que se afastaram dos colegas e que agoram comem juntos, tentam se fazer parecer enfadados um do outro (amor-segredo é bandeiroso como sempre..) e ficam ali lado a lado durante todo o intervalo, simplesmente desfrutando da presença daquele/daquela com quem querem passar todo o resto das aulas.. Daqui a pouco não será mais possível negar o envolvimento.. pelo pouco que conheço dos dois não será um amor fácil de levar adiante.. as famílias podem não aceitar.. existem diferenças de peso envolvidas ali.. mas nem por isso meu Romeu e minha Julieta adolescentes deixam de ser menos admiráveis enquanto se descobrem enamorados.. Fiquei pensando nas juras de amor que em breve irão trocar, nas manobras que terão que criar para conseguirem se ver.. e minha cabeça começou a voar.. por certo todos os amores parecem eternos.. e quando somos adolescentes tudo é tão definitivo - até que mude a estação e mudem nossos pensamentos.. Como este amor vai se desenrolar? Quantas vezes ainda passarão por este aproximar de mãos, rostos, sorrisos? Quantas vezes ainda acharão que "este sim é para sempre"? Quantas vezes serão consolados por um "para sempre" que se mostrou breve demais?? Vale à pena enxergar a esperança destes Romeus e Julietas adolescentes por detrás de suas fugidias aproximações.. quando até mesmo um recreiozinho de quinze minutos numa manhã de inverno nos mostra que vale à pena sim acreditar no amor.. em qualquer tempo, em qualquer idade..

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Nunca desista..

"Nunca desista das coisas que fazem você sorrir"!
A frase é perfeita, embora na "vida real" o discurso nem sempre possa ser tão otimista quanto o texto.
Às vezes é difícil que o bom ânimo resista a um período - interminável - de TPM, doencinhas ou falta de grana. Às vezes é difícil aturar uma dieta que não apresenta resultados, a força de vontade quase nula, o - péssimo - hábito da procrastinação - adiar e adiar e adiar tudo aquilo que você sabe que TEM que fazer.
Todas estas pequeninas coisas, somadas a outras tantas - tão maiores - fazem com que aos poucos nossos sorrisos murchem, até ficarem tão pequenininhos que já não podemos mais encontrá-los. Esses dias eu estava assistindo a uma antiga série de televisão, que amo de paixão, e fui surpreendida por uma observação do meu marido:
-"Se a série é tão engraçada e todo mundo ri no fundo, por que você fica assistindo o tempo todo com essa cara tão séria"?
Bomba hiroshimiana jogada dentro de  mim!!
Não sei se ele percebeu o impacto do que disse - acho mesmo que não - afinal eu disfarço bem minhas impressões.. mas o fato é que ele me fez ver - e olha que não foi a primeira vez.. - que ando séria demais, preocupada demais, tensa demais.. demais, demais, demais.. precisando me tornar mais leve.. 
Talvez eu esteja abrindo mão das coisas que me fazem sorrir. Nunca há temmpo, nunca é conveniente ou adequado. Nunca é possível. Os motivos para evitar sorrisos? Tantos que me faltariam dedos nas mãos para enumerá-los.. mas essa não é uma particularidade minha, o mundo inteiro precisa reencontrar esssa alegria despreocupada de um final de tarde com sorvete, de uma história contada em meio a risadas, de um cheirinho de bolo perfumando a casa.. Sorrisos que eram produzidos em larga escala na infância - por isso amo me lembrar das baguncinhas desta  fase - e que agora já são raros.. quase se tornaram sinônimo de imaturidade.. O preço que pagamos por nos tornar adultos é caro demais. Abrimos mão das coisas que nos fazem sorrir.. deixamos pra trás a bobeira tresloucada e juvenil de madrugadas passadas em claro apenas para compartilhar histórias e mais histórias, viagens feitas sem planejamento, passeios inesperados, entardecer sentados na grama assistindo ao pôr-do-sol.. desenho animado na televisão, pote de sorvete, colherada de brigadeiro, beijo na boca, andar de mãos dadas..
O que te faz sorrir? Ainda consegue se lembrar?
A partir de hoje quero resgatar meus sorrisos.. eles devem estar escondidos por aí, atrás das cortinas do quarto, debochando singelamente de mim..

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

As novelinhas da tarde

Quando era criança, achava bom passar mal na escola uma vez ou outra, ainda que de mentirinha, pois chegava em casa bem na hora do "Vale a pena ver de novo".. Conseguia assistir um pouquinho da reprise das novelas.. Era a hora em que o avô coava o café da tarde. Tentava ver a Sônia Braga de Gabriela, mas a mãe não gostava que eu visse - e hoje entendo porque.. : "Vai deitar, menina, que você está passando mal"! - e eu só ficava ouvindo de longe: "Ô Gabrieeeeeeela"! enquanto tomava meu café quentinho na cozinha..

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Post-it mentais

Minha mente é cheia de "post-it" que nunca perdem a cola. Estão lá desde sempre. Alguns são felizes, outros encorajadores. Mas também existem aqueles do tipo "gato escaldado tem medo de água fria", são os que me lembram que não é bom brincar com fogo e até mesmo que existem certas amizades puramente "oncíferas" - das boas e velhas amigas da onça.. O fato é que estes lembretezinhos auto-adesivos (tem hifen aqui ou não? Não consigo memorizar as "novas" regras, há resistência em mim!) se amontoam em minha cabeça - imagino o prisma de cores "postitais" ali dentro. No entanto, sempre existe espaço para mais um.. eles vão se apertando, sobrepondo-se uns aos outros - será que é nessa hora que minha cabeça começa a doer? - espremendo-se e de repente.. fica tudo "organizado" outra vez. Claro que é uma "organização" muito específica e que quem olhasse com outros olhos que não fossem os meus, poderia não entender nada. É que eu sou mesmo assim: às vezes incompreensível, às vezes previsível, às vezes divertida e muitas vezes enjoada. Defendo-me, porém, dizendo que, meu estado de espírito, geralmente está ligado ao tipo de post-it que foi pra frente do murundu de adesivinhos que estão dentro de mim. Impossível negar a força das memórias. São elas que nos ensinam, que nos estimulam, que nos fazem fugir ou esconder. Já falei um pouco em outro post sobre o "peso" do passado, quem lê o blog deve se lembrar.. Memórias são fios de todas as cores - no meu caso prefiro incorporar a idéia dos post-it! - conectados e ao mesmo tempo embolados, podendo fazer a coisa toda funcionar ou dar um tremendo de um choque! Minhas recordações compõem aquela que hoje sou.. com elas aprendi, cresci, mudei. Muitas outras experiências serão incorporadas à babel de minhas lembranças e por isso sei que no futuro serei uma pessoa ainda mais difrente da que já sou, talvez melhor, espero que sim. O bom de viver é que a gente muda. Ainda bem que mudamos. Embora existam aqueles que resistam - mais do que eu às "novas" regras ortográficas - resistam a todo e qualquer tipo de mudança que possa fazer com que se tornem pessoas ao menos mais "palatáveis".. preferem o azedo.. puro limão.. Volto a dizer, uma coisa é você ser feito de histórias, histórias que te empurram pra outros cantos.. outra coisa é você permitir que estas histórias te façam ver as mesmas cenas sempre e sempre, sem que nada se modifique. Ops, lá vou eu me perdendo do foco.. meus post-it!! Esta noite tive um sonho muito estranho: sonhei que o lugar onde estava havia sido todo desolado por algum tipo de situação da qual não me recordo. A casa estava no chão, mas todos os móveis e objetos intactos. Eu precisa escolher o que tirar dali, havia pouco tempo para me decidir. Sem nem pensar duas vezes corri até o armário onde eu guaradava as fotografias da família e de meu casamento e levava comigo as fotos e alguns documentos, dentre eles minha certidão de nascimento e a de casamento. E eu ia embora, tranquila. Sem peso na consciência por deixar todo o resto. Numa interpretação "daniellística" do sonho ouso dizer que é o que me importa, sempre, minhas raízes, minha história, minhas lembranças. Lembranças que se tornam identidade. Experiências que me são tão caras.. sempre! Por isso nesta manhã, antes de preparar o almoço - cujo desenrolar resultou em uma unha cortada - resolvi evocar meus post-it  mentais.. eles são meus documentos verdadeiros!!!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Quem e quando mesmo?

O perigo é planejar demais.. Você perde horas do dia idealizando a situação - cujos detalhes não se justificam explicitar - se esforça, contorna armadilhas, quase deixa tudo degringolar, mas dá a volta por cima.. Alguns fios de cabelo branco a mais e você conseguiu chegar inteira ao final do dia..  Contrariando todas as expectativas, em questão de segundos, as coisas azedam mais do que a massa de tomates esquecida fora da geladeira. Pow! Já era o momento, já eram os planos, você já era.. fácil assim.. Momento perdido, o jeito é deixar tudo para uma outra ocasião.. talvez as coisas ocorram mais expontaneamente - será possível? - e você aprenda que planejamento fica bem para.. bom, para quem e quando mesmo?

domingo, 8 de julho de 2012

H!

Olhos transbordando de saudade - pelo pouco tempo que esteve entre nós - coração apertado pelo que não chegamos a viver juntas, pequenina estrela.. Bonequinha linda que já amávamos tanto.. estrelinha no céu.. sei que teu lugar agora é melhor do que aqui, mas não posso negar que a queria entre nossos braços e abraços.. branquinha como o leite que não chegou a provar.. igualzinha aquela que te imaginava ser.. Fica com o Pai, querida, guardada para nós, quando estaremos todos juntos mais uma vez.. amo-te H!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A criança que se joga nos braços do pai mesmo estando em cima de um móvel bem alto, tem FÉ. Ela sabe que aquelas mãos estendidas são fortes o suficiente pra não deixá-la cair, para impedir que ela se machuque. Não há dúvida. Há apenas a CONFIANÇA.. a confiança e a  certeza de um AMOR que por ela tudo faz. É uma pena que ao longo da vida percamos esta inocente crença. Porque acreditar nos faz mais fortes. Permite que possamos fazer planos. Nos mostra que temos uma rocha debaixo de nossos pés. A confiança não está mais depositada em nossos pais - afinal conseguimos enxergá-los como pessoas simples e afeitas aos mesmos tipos de inseguranças que nós mesmos possuímos -, mas encontra-se, em meu caso e no de tantas outras pessoas, em Deus. Nele resgatamos a crença inocente - e verdadeira - de que mesmo que nos joguemos - ou alguém nos empurre - dos lugares mais altos Ele estará ali de mãos estendidas para nos recolher.. para nos proteger.. para cuidar.. porque Nele há amor.. só se joga quem confia. Não tem  medo de pular ou de cair quem tem fé. Essa fé precisa ser praticada. Sem exercício ela morre. Sem olhos abertos para o que Ele tem feito em nossas vidas ela diminui. Olho ao meu redor e vejo que Deus te feito pequenos - e grandes - milagres. Fazer milagres é a sua especialidade. É nisso que Ele é bom. E é nessas horas em que precisamos de milagres que O sinto mais próximo de mim. São os momentos em que me sinto à beira do abismo.. são os momentos em que vejo que não tenho mais coragem ou força, apenas fé.. é nestas horas que Ele se mostra mais próximo.. porque Ele sabe que nestas ocasiões eu estou esvaziada de autocontrole, de confiança em mim mesma.. Ele sabe que nestas horas só Suas mãos estendidas para mim podem fazer com que eu pule, me jogue sem medo. Esta entrega é tão maravilhosa que só mesmo quem conhece um amor assim - divinal e único - consegue compreender o que eu estou dizendo. Quantas vezes você conheceu alguém que te amasse dessa forma? Não há ninguém assim. Ele não pede nada em troca, apenas deseja ver / sentir seu coração dependente Dele. Não  existe outro amor maior.. não existe quem se preocupe contigo desta forma.. não ninguém em quem possa confiar desse jeito. Uma vez que você compreenda isso os dias não são tão longos, a noite não é tão escura e as decepções não calam tua voz. Porque você pode se jogar em seus braços e Ele faz com que você se esqueça de tudo que te machuca. Este fazedor de milagres recriou minha vida, física - livrando-me da morte em um acidente horrível em 2002 - e espiritual - em 2006, dando-me condições de enxergar que eu podia ser uma pessoa melhor se me reconhecesse dependente Dele.. hoje eu sei que seus milagres me perseguem e a todos os meus.. vejo eles se concretizarem ao meu redor.. E é de um de seus grandes MILAGRES que no momento precisamos. Tenho certeza que Ele está com as mãos estendidas, para nos segurar. No momento só Ele pode agir. Não há nada que possamos fazer. Fé é isso. Crer que estas poderosas mãos estão levantadas para nos receber. Crer que Ele não nos deixará cair, que Ele não nos deixará doer. Crer que Ele conhece nossos medos e nossos sonhos. E ter a certeza que Ele vai fazer o melhor, porque nos ama, porque confiamos, porque Ele é Deus. Confiança e amor. A base de todo milagre.. Nele e em nós.