terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Amo-te por todo o sempre



Grávida de 14 semanas ainda não consegui entender completamente que dentro de alguns meses serei mãe. Ainda não me sinto mãe. Não sou do tipo de mulher que se pega conversando ou cantando para a barriga. Sei que isso é extremamente importante, mas ainda não consigo fazer. Assim como ainda não consegui comprar nada para o bebê. E também não consigo fazer muitos planos para ele/ela. Estou imensamente feliz e a cada nova consulta ou exame eu amo mais a esse bebezinho, mas acho que ainda não consigo demonstrar a ele/ela esse amor. Esse sentimento ainda é algo quase secreto, frágil, que dá medo de demonstrar. Uma coisa só minha e de mais ninguém. Sinto que enquanto ele/ela ainda estiver crescendo dentro de mim somos apenas nós dois e acho que fico tentando escondê-lo/escondê-la do resto do mundo porque decididamente este é um mundo no qual não vale à pena vivermos. De que maneira eu poderia tornar este mundo menos ameaçador a esta criança?  Por mais que eu pense em alternativas as respostas nunca chegam e eu fico assim meio aérea pensando que lá dentro ainda é o melhor lugar para ele/ela estar. Não sei se estarei/se estaremos pronta/prontos para quando este bebê chegar. Ainda existe um mundo de mudanças necessárias em cada um dos dois. Nunca cheguei a nos imaginar concretamente como pais. E agora esta palavra adquire o peso de mil mundos sobre nós. Não sei se em algum dia estaremos prontos. Mas sei que quero estar. Sei que preciso estar pronta. E que mesmo que eu precise morrer um pouco a cada dia para deixar nascer uma nova pessoa – melhor do que aquela que hoje eu sou – eu o farei sem pensar no que ficará para trás. Talvez seja a maneira que eu encontre de tornar o mundo para ele/ela melhor: tornando-me uma pessoa mais adequada. É certo que preciso lapidar minha forma de amar, pois um serzinho tão frágil merece o melhor dos amores. Merece o que houver de melhor em mim/em nós. Preciso dobrar meus medos ao chão, abandonar as ansiedades, não olhar para o que estiver em desacordo com a vida que escolhi viver.  Necessito da segurança-insegura que apenas as mães têm: a certeza da necessidade de agir mesmo sem saber se fez mesmo a melhor escolha. Preciso aprender a amar para além dos medos, dos erros e das frustrações. Preciso aprender a me perdoar e a perdoar a vida por nem sempre ser do jeito que eu a desejei. Preciso entender que um milagre cresce dentro de mim e que sua vida depende, em todos os sentidos, da minha plenitude.. da minha alegria.. do amor que eu conseguir lhe demonstrar a cada dia. Se o mundo em que vivemos não é exatamente o melhor lugar para esta criança viver ela merece que eu seja a melhor mãe que Deus poderia ter lhe dado. Seja bem vindo/bem vinda bebê..  amo-te por todo o sempre.