quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Aprendizagem

Estive ocupada demais preparando as coisas aqui fora para a chegada da minha bebê, mas vejo que não preparei suficientemente as coisas dentro de mim! Por mais que eu soubesse da grandeza do amor que viria a sentir, não imaginava que ele fosse me tomar tão por inteiro! Não sabia que em alguns momentos eu iria chorar apenas por vislumbrar seu soninho, desprotegida do mundo, precisando tanto de mim! Não pude imaginar que teria ciúme do "quererbem" de tantas pessoas, tampouco consegui perceber com antecedência que teria momentos em que eu não saberia lidar com ela aqui do lado de fora, afinal, dentro de minha barriga era apenas minha! Nosso relacionamento, enquanto  a pequenina estava dentro de mim, era visceral, simbiótico, exclusivo. Éramos apenas ela e eu. Talvez eu nunca esteja pronta para dividir seu amor, com os outros, pequeno cupcake corderosa! Mas prometo que vou me esforçar.. se quiser ensiná-la sobre relacionamentos, preciso antes vencer meu egoísmo relacionado a ti!
Vou ensinar-te a ser um bichinho alado, para que com suas asas possa voar por todos os lados, encantando e alegrando a todos com quem se encontrar! A poesia do seu sorriso tilintando nos ouvidos do mundo, a beleza dos seus olhinhos "lumiando" caminhos antes obscuros"! A maciez de tuas mãozinhas se estendendo a quem precisar! Preciso criá-la para ser, também para os outros,  o fogo bom que esquentou meu coração no meio do inverno deste ano! Para ser uma boa mãe é preciso que antes eu seja uma pessoa melhor, menos egoísta, menos possessiva, menos enclausuradora.. Minhas  primeiras impressões a teu respeito são as melhores do mundo inteiro, pedacinho do céu, que Deus mandou para mim (ops, para nós!)! Tu és o melhor de mim, misturado com o melhor de outro, ensinando-nos a ser como tu: confiante ainda que desprotegida, crendo nas promessas da vida e agradecida após cada soninho ou mamada.. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Elefantes coloridos

Mais uma vez amanheceu chovendo.
O despertador tocou antes da hora, mas nem era preciso ouvi-lo, pois já estava revirando acordada na cama. Uma gripe enjoada toma conta dos meus pensamentos desde o início da semana. O segundo resfriado em menos de um mês. 
Meu bebê nunca se mexeu tanto quanto agora. Ontem mesmo pude "vê-la" soluçando durante a ultrassonografia. Lagriminhas discretas ficaram se segurando em meus olhos. Só caíram mesmo na hora em que vi sua boquinha na tela, parecida com a minha (palavras do pai).. que palavras lhe estão reservadas, pequena bebê? Que sabores irá preferir? Quantos beijos vai me dar?
Na véspera sonhei com elefantes de pelúcia, coloridos, em tamanho real. E uma girafa. Não eram amigos. A coisa toda ficou um pouco confusa, mas foi divertido cavalgar no lombo da grandona, fugindo dos elefantes. Meus sonhos se tornam a cada dia mais estranhos. Dizem que é por causa da gravidez. Talvez seja este também o motivo dos resfriados consecutivos. E  da vontade de chorar diante de uma gravação de exame obstétrico. Talvez esta seja mesmo a causa pra muitas das mudanças que vem acontecendo. Algumas delas nem sempre são agradáveis. Como quando me esqueço de onde coloquei coisas que nunca mudaram de lugar em minha casa. Ou como quando acabo falando atropeladamente sobre coisas que ainda não estavam bem organizadas em minha cabeça e termino por machucar pessoas queridas com minha atual falta de jeito.
Hormônios bagunçados não podem ser desculpas o tempo inteiro. 
Até porque a pessoinha que vive dentro de mim não pode ser responsabilizada pelas maluquices que ando falando, fazendo, sentindo.
Apenas peço um pouquinho de paciência.. as coisas se acertarão.. eu prometo!
Em breve estarei com minha "cupcake" nas mãos.. talvez minha loucura continue, trocando apenas de nome, mas estarei mais segura com ela nos braços.
Perdoa-me a falta de jeito. Quando eu menos mereço, é quando mais preciso..
Ajuda-me a fugir dos elefantes coloridos..

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Amo-te por todo o sempre



Grávida de 14 semanas ainda não consegui entender completamente que dentro de alguns meses serei mãe. Ainda não me sinto mãe. Não sou do tipo de mulher que se pega conversando ou cantando para a barriga. Sei que isso é extremamente importante, mas ainda não consigo fazer. Assim como ainda não consegui comprar nada para o bebê. E também não consigo fazer muitos planos para ele/ela. Estou imensamente feliz e a cada nova consulta ou exame eu amo mais a esse bebezinho, mas acho que ainda não consigo demonstrar a ele/ela esse amor. Esse sentimento ainda é algo quase secreto, frágil, que dá medo de demonstrar. Uma coisa só minha e de mais ninguém. Sinto que enquanto ele/ela ainda estiver crescendo dentro de mim somos apenas nós dois e acho que fico tentando escondê-lo/escondê-la do resto do mundo porque decididamente este é um mundo no qual não vale à pena vivermos. De que maneira eu poderia tornar este mundo menos ameaçador a esta criança?  Por mais que eu pense em alternativas as respostas nunca chegam e eu fico assim meio aérea pensando que lá dentro ainda é o melhor lugar para ele/ela estar. Não sei se estarei/se estaremos pronta/prontos para quando este bebê chegar. Ainda existe um mundo de mudanças necessárias em cada um dos dois. Nunca cheguei a nos imaginar concretamente como pais. E agora esta palavra adquire o peso de mil mundos sobre nós. Não sei se em algum dia estaremos prontos. Mas sei que quero estar. Sei que preciso estar pronta. E que mesmo que eu precise morrer um pouco a cada dia para deixar nascer uma nova pessoa – melhor do que aquela que hoje eu sou – eu o farei sem pensar no que ficará para trás. Talvez seja a maneira que eu encontre de tornar o mundo para ele/ela melhor: tornando-me uma pessoa mais adequada. É certo que preciso lapidar minha forma de amar, pois um serzinho tão frágil merece o melhor dos amores. Merece o que houver de melhor em mim/em nós. Preciso dobrar meus medos ao chão, abandonar as ansiedades, não olhar para o que estiver em desacordo com a vida que escolhi viver.  Necessito da segurança-insegura que apenas as mães têm: a certeza da necessidade de agir mesmo sem saber se fez mesmo a melhor escolha. Preciso aprender a amar para além dos medos, dos erros e das frustrações. Preciso aprender a me perdoar e a perdoar a vida por nem sempre ser do jeito que eu a desejei. Preciso entender que um milagre cresce dentro de mim e que sua vida depende, em todos os sentidos, da minha plenitude.. da minha alegria.. do amor que eu conseguir lhe demonstrar a cada dia. Se o mundo em que vivemos não é exatamente o melhor lugar para esta criança viver ela merece que eu seja a melhor mãe que Deus poderia ter lhe dado. Seja bem vindo/bem vinda bebê..  amo-te por todo o sempre.