quarta-feira, 25 de abril de 2012

Dias imprevisíveis


Já aconteceu de você organizar mentalmente cada passo que dará em um determinado dia e o caminho entortar de modo que você não sabe nem mais onde está pisando?
Isso tem acontecido comigo com uma certa frequência, fazendo com que eu me sinta completamente fora do ar. Ando distraída, queixo caído, olho comprido pro dia seguinte, tentando enxergar qual será a surpresa que a vida vai aprontar.
As coisas andam desconectadas, as pessoas estressadas, os sentimentos bagunçados.
Esses dias imprevisíveis aceleram minha ira. Não gosto de estar descontrolada. Preciso das coisas encaixadas, das pessoas serenas e dos sentimentos adocicados. Preciso de raízes fincadas, ainda que o terreno seja irregular, torto, cheio de pedras. Preciso da segurança de profundas raízes.
Rotina nem sempre é ruim..  ela é negativa quando amorna o que você é.. quando não te deixe mais pulsar...  quando contamina teus relacionamentos... quando você desiste de se tornar uma pessoa melhor.. quando você perde a expectativa em relação ao futuro e às pessoas que estarão em seu futuro é porque a rotina-bicho-ruim te comeu... mas existe a rotina-bicho-bom..
A rotina-bicho-bom é aquela que não te devora.. ela te lambisca.. ela te faz ter segurança.. ela finca as raízes na terra.. ela faz com que você tenha  vontade de voltar pra casa.. porque te lembra através das lambiscadas que tua casa é porto seguro, que tuas pessoas têm aromas e sabores deliciosos.. ela te lembra que existem lugares e pessoas com quem você estará confortável.. ela te faz ter pra onde e pra quem voltar!
Raízes fincadas na terra te seguram quando a cabeça voa.. quando a vontade de sumir quase te consome.. quando ao seu redor o caminho fica torto demais..
Respiração acelerada.. olho espichado.. caminhar tropeçando.. esse caminho não é o que eu conheço..
Me dá sua mão.. vamos fixar nossas raízes..

terça-feira, 17 de abril de 2012

Apenas se..


É possível sentir tristeza por aquilo que sequer chegou a SER?
Nostalgia, saudade? Coisa estranha agarrada na memória, aquilo que ainda seria bom.. Algodão doce dissolvido na boca antes mesmo do gosto chegar.. Lembrança da alegria abreviada, da comemoração que nem foi pronunciada, do choro solitário, caminho de uma pessoa só. Dor pelo que poderia ter sido e não foi. O conforto de poucos. O calor da cama contrastando com o gelo na alma, lágrimas que inundaram paisagens e silenciaram vozes ao redor. Só não silenciaram o SE.. Este ainda faz eco no meio da madrugada. Se o SE ainda fosse SE, novembro seria surpreendentemente feliz.. SE.. É possível sentir saudade de ti? Pequenino e pra sempre SE..