quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Maternalmente modificada

Ter um filho faz com que sua vida mude completamente. 
A frase é clichê, eu sei, mas continuará a ser evocada - com sabedoria - todas as vezes em que um bebê nascer.
Por mais que eu tenha tentado me preparar para as mudanças que viveria após me tornar mãe, percebo que na verdade, nunca estarei pronta.
A maternidade é algo para o qual você nunca estará totalmente pronta.
A ilusão é pensar que conselhos, livros, cursos e promessas serão válidos quando o bebê de fato estiver em seus braços, colo, cama.
Você cria um plano inicial de ação e logo nos primeiros dias ele é detonado. Nada funciona da maneira como você previu. Muitas vezes não é do jeito que você queria que fosse. Muitas vezes não é como te contaram que seria. Outras vezes é exatamente do jeito que te preveniram que seria. Não importa. Você faz planos e aquele serzinho minúsculo com cheiro doce e textura de pãozinho recém saído do forno tem prazer em te frustrar NAQUELES planos. Ele suja a melhor roupa tão logo foi trocado, chora no colo da sua melhor amiga, tem cólicas que o fazem berrar a plenos pulmões durante a estadia da visita mais querida em sua casa. Seus peitos doem, sua roupa tem cheiro de leite azedo, suas olheiras são maiores do que teu sorriso, escondido em meio aos travesseiros que você não chega a usar, pois praticamente não dorme mais.
Sair de casa nos primeiros meses se torna prêmio de consolação. Você aprende a apreciar uma simples visita ao pediatra e gostaria de voltar a se maquiar nem que fosse para comprar fraldas e pomadas na farmácia da esquina. Mas não dá tempo. Mal dá tempo de tomar banho. Fazer as unhas se torna sonho de consumo. Seus amigos sem filhos passam a te ver como uma espécie estranha. Não entendem seus lapsos de memória e sua estranha obsessão por cores e texturas de coco. Mães de bebês se tornam especialistas em analisar o conteudo das fraldas, para verificar se tudo vai bem lá por dentro de seus filhotinhos. Seus amigos com filhos tornam-se uma ilha, um porto seguro. Com estes você pode contar. Para eles você pode contar. Contar como sua vida mudou. Compartilhar medos, angustias. Trocar receitas. Anotar nomes de confecções e médicos. Comparar experiências. De repente você percebe que não está sozinho. Existem mais pessoas que passam a respirar bebês. Você deixa de ouvir suas músicas e enche o celular e o computador de clips infantis. Muda sua alimentação. Para de usar perfume. Muda os móveis da casa. Muda de casa. Deixa de fazer programas dos quais antes não podia abdicar. 
A vida muda.
Você sente.
Mas você não consegue mais imaginar sua vida sem esse serzinho rosado e macio. A maior mudança, na verdade é exatamente essa: você aprende que nunca amou desta forma e que nunca mais será amado assim. Você deseja se fazer forte, quase invencível.. para que nada possa atingir os futuros sonhos daquele / daquela que é a melhor parte de si. Você aprende a se sentir amado incondicionalmente, pois percebe que tudo o que ele / ela quer é tê-lo ali ao seu lado.
Um amor desse tipo muda sua vida. Para todo o sempre. Nunca mais somos os mesmos depois de ter nossos filhos. E graças a Deus por isso.
Hoje posso dizer que a vida muda. A vida mudou.
Mas mudei muito mais eu. Eu por ti. E cada desistência ou alteração que foi necessária, valeu a pena.
Hoje sonho sonhos que possam te permitir sonhar!
Amo-te. Visceralmente.
Amo-te. Emocionalmente.
Amo-te, minha mudança!


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Aprendizagem

Estive ocupada demais preparando as coisas aqui fora para a chegada da minha bebê, mas vejo que não preparei suficientemente as coisas dentro de mim! Por mais que eu soubesse da grandeza do amor que viria a sentir, não imaginava que ele fosse me tomar tão por inteiro! Não sabia que em alguns momentos eu iria chorar apenas por vislumbrar seu soninho, desprotegida do mundo, precisando tanto de mim! Não pude imaginar que teria ciúme do "quererbem" de tantas pessoas, tampouco consegui perceber com antecedência que teria momentos em que eu não saberia lidar com ela aqui do lado de fora, afinal, dentro de minha barriga era apenas minha! Nosso relacionamento, enquanto  a pequenina estava dentro de mim, era visceral, simbiótico, exclusivo. Éramos apenas ela e eu. Talvez eu nunca esteja pronta para dividir seu amor, com os outros, pequeno cupcake corderosa! Mas prometo que vou me esforçar.. se quiser ensiná-la sobre relacionamentos, preciso antes vencer meu egoísmo relacionado a ti!
Vou ensinar-te a ser um bichinho alado, para que com suas asas possa voar por todos os lados, encantando e alegrando a todos com quem se encontrar! A poesia do seu sorriso tilintando nos ouvidos do mundo, a beleza dos seus olhinhos "lumiando" caminhos antes obscuros"! A maciez de tuas mãozinhas se estendendo a quem precisar! Preciso criá-la para ser, também para os outros,  o fogo bom que esquentou meu coração no meio do inverno deste ano! Para ser uma boa mãe é preciso que antes eu seja uma pessoa melhor, menos egoísta, menos possessiva, menos enclausuradora.. Minhas  primeiras impressões a teu respeito são as melhores do mundo inteiro, pedacinho do céu, que Deus mandou para mim (ops, para nós!)! Tu és o melhor de mim, misturado com o melhor de outro, ensinando-nos a ser como tu: confiante ainda que desprotegida, crendo nas promessas da vida e agradecida após cada soninho ou mamada.. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Elefantes coloridos

Mais uma vez amanheceu chovendo.
O despertador tocou antes da hora, mas nem era preciso ouvi-lo, pois já estava revirando acordada na cama. Uma gripe enjoada toma conta dos meus pensamentos desde o início da semana. O segundo resfriado em menos de um mês. 
Meu bebê nunca se mexeu tanto quanto agora. Ontem mesmo pude "vê-la" soluçando durante a ultrassonografia. Lagriminhas discretas ficaram se segurando em meus olhos. Só caíram mesmo na hora em que vi sua boquinha na tela, parecida com a minha (palavras do pai).. que palavras lhe estão reservadas, pequena bebê? Que sabores irá preferir? Quantos beijos vai me dar?
Na véspera sonhei com elefantes de pelúcia, coloridos, em tamanho real. E uma girafa. Não eram amigos. A coisa toda ficou um pouco confusa, mas foi divertido cavalgar no lombo da grandona, fugindo dos elefantes. Meus sonhos se tornam a cada dia mais estranhos. Dizem que é por causa da gravidez. Talvez seja este também o motivo dos resfriados consecutivos. E  da vontade de chorar diante de uma gravação de exame obstétrico. Talvez esta seja mesmo a causa pra muitas das mudanças que vem acontecendo. Algumas delas nem sempre são agradáveis. Como quando me esqueço de onde coloquei coisas que nunca mudaram de lugar em minha casa. Ou como quando acabo falando atropeladamente sobre coisas que ainda não estavam bem organizadas em minha cabeça e termino por machucar pessoas queridas com minha atual falta de jeito.
Hormônios bagunçados não podem ser desculpas o tempo inteiro. 
Até porque a pessoinha que vive dentro de mim não pode ser responsabilizada pelas maluquices que ando falando, fazendo, sentindo.
Apenas peço um pouquinho de paciência.. as coisas se acertarão.. eu prometo!
Em breve estarei com minha "cupcake" nas mãos.. talvez minha loucura continue, trocando apenas de nome, mas estarei mais segura com ela nos braços.
Perdoa-me a falta de jeito. Quando eu menos mereço, é quando mais preciso..
Ajuda-me a fugir dos elefantes coloridos..

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Amo-te por todo o sempre



Grávida de 14 semanas ainda não consegui entender completamente que dentro de alguns meses serei mãe. Ainda não me sinto mãe. Não sou do tipo de mulher que se pega conversando ou cantando para a barriga. Sei que isso é extremamente importante, mas ainda não consigo fazer. Assim como ainda não consegui comprar nada para o bebê. E também não consigo fazer muitos planos para ele/ela. Estou imensamente feliz e a cada nova consulta ou exame eu amo mais a esse bebezinho, mas acho que ainda não consigo demonstrar a ele/ela esse amor. Esse sentimento ainda é algo quase secreto, frágil, que dá medo de demonstrar. Uma coisa só minha e de mais ninguém. Sinto que enquanto ele/ela ainda estiver crescendo dentro de mim somos apenas nós dois e acho que fico tentando escondê-lo/escondê-la do resto do mundo porque decididamente este é um mundo no qual não vale à pena vivermos. De que maneira eu poderia tornar este mundo menos ameaçador a esta criança?  Por mais que eu pense em alternativas as respostas nunca chegam e eu fico assim meio aérea pensando que lá dentro ainda é o melhor lugar para ele/ela estar. Não sei se estarei/se estaremos pronta/prontos para quando este bebê chegar. Ainda existe um mundo de mudanças necessárias em cada um dos dois. Nunca cheguei a nos imaginar concretamente como pais. E agora esta palavra adquire o peso de mil mundos sobre nós. Não sei se em algum dia estaremos prontos. Mas sei que quero estar. Sei que preciso estar pronta. E que mesmo que eu precise morrer um pouco a cada dia para deixar nascer uma nova pessoa – melhor do que aquela que hoje eu sou – eu o farei sem pensar no que ficará para trás. Talvez seja a maneira que eu encontre de tornar o mundo para ele/ela melhor: tornando-me uma pessoa mais adequada. É certo que preciso lapidar minha forma de amar, pois um serzinho tão frágil merece o melhor dos amores. Merece o que houver de melhor em mim/em nós. Preciso dobrar meus medos ao chão, abandonar as ansiedades, não olhar para o que estiver em desacordo com a vida que escolhi viver.  Necessito da segurança-insegura que apenas as mães têm: a certeza da necessidade de agir mesmo sem saber se fez mesmo a melhor escolha. Preciso aprender a amar para além dos medos, dos erros e das frustrações. Preciso aprender a me perdoar e a perdoar a vida por nem sempre ser do jeito que eu a desejei. Preciso entender que um milagre cresce dentro de mim e que sua vida depende, em todos os sentidos, da minha plenitude.. da minha alegria.. do amor que eu conseguir lhe demonstrar a cada dia. Se o mundo em que vivemos não é exatamente o melhor lugar para esta criança viver ela merece que eu seja a melhor mãe que Deus poderia ter lhe dado. Seja bem vindo/bem vinda bebê..  amo-te por todo o sempre.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Reflexo médico

Num dia destes eu prometo que vou me focar. Por enquanto deixa tudo assim disperso, meio às avessas que dá certo. Deixe que o dia passe e a vontade termine ou cresça, só não deixe que as lágrimas caiam. Melhor mesmo ficar assim anestesiada, querendo mel e hortelã, um pouco de doce ardendo na língua. Nem eu mesma gosto, mas é assim que desce, o importante é seguir em frente sem parar jamais. Tem dias em que não dá pra pensar nada, nem sonho dá pra sonhar, porque a noite é rápida e não sentir nada é a melhor opção. Dá pra sorrir em algumas conversas, com algumas pessoas dá pra  ficar entediada. Mas você tem senso de responsabilidade, é educada e sabe se comportar, dançar conforme a música, encontra-se bem afinada. Não quer  dizer que por dentro esteja pulsando, mas não dá pra pulsar sempre. 
Tem horas que é melhor NÃO SENTIR NADA. Abre bastante os olhos que vai passar a criançada correndo, gritando, chupando balas, é a cena mais linda de se ver por aqui, não dá pra sofrer assim, vendo essa molecada crescer, sorrir, chorar. O melhor do adulto é o tempo que ele passa criança, imaginando os sonhos da vida inteira, que o acompanham. Às vezes se calam, mas continuam lá, acarinhando a alma, quando ela fica pequenininha, indiferente, calada. Hoje é dia de comer salada, manter a boca fechada. Cruze as pernas assim meio de lado, porque assim é mais educado, você vai sorrir e falar quando te for solicitado. Passa o dia, vai. Chega a noite, vem. Dá-me mais um comprimido adocicado que vou ter um sono abençoado e acordar amanhã de manhã pra mais um dia meu. Vida comprida!!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Oração de todos os dias



Eu não quero me acostumar com a violência, com a mentira, com a traição, com a dor, com as injustiças.
Não posso achar essas coisas normais.
Minha oração nesse dia é para que Deus não me deixe endurecer. Pra que Ele me use como ajudadora daqueles que precisam de mim. Pra que eu tenha as palavras certas – não minhas, mas Dele – na hora em que eu precisar consolar alguém. 
Que Ele me use para dar carinho.
Que eu consiga proteger, cuidar, amar. Amém. 
Senhor, cuida dessas crianças, meu Pai. Cuida dessas crianças que têm se perdido em meio às drogas, em meio à violência, ao sexo. Cuida dessas crianças que têm vivido coisas duras demais. Cuida dessas crianças que sofrem, que doem, que choram, que não têm ajuda, que gritam por socorro. Cuida dessas crianças que erram. Cuida dessas crianças que não temos cuidado, que não temos protegido de nós mesmos. Cuida dessas crianças que têm sua infância saqueada. Cuida dessas crianças que têm seus sonhos roubados. Cuida dessas crianças que perdem a inocência porque o mundo pesa sua mão sobre elas. Amém.
Renova nossos sonhos apesar da dureza deste mundo, meu Deus.. Amém.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Romeu e Julieta

Poucas vezes na vida temos a oportunidade de ver como é que nasce o amor dos outros.. o que é uma pena, pois é algo lindo de se ver, em qualquer idade. Há alguns dias tenho observado um casalzinho de adolescentes se aproximando.. confesso que ao notar o cheirinho de amor no ar comecei a prestar mais atenção em cada um dos passos destes dois. Primeiro porque é meu dever, devido ao trabalho, tomar conta pra que nenhum excesso ocorra (ah os desvarios do amor..) e em segundo lugar porque é bonitinho demais ver como as mãos vão se aproximando, perceber como os sorrisos vão se falando e enxergar de que maneira as palavras se tornam desnecessárias diante da vontade que se tem de estar perto do outro sem que os demais percebam o que está acontecendo.. e é exatamente aí que eles dão a maior bola do que começam a viver.. Aos poucos eu fui notando que se afastaram dos colegas e que agoram comem juntos, tentam se fazer parecer enfadados um do outro (amor-segredo é bandeiroso como sempre..) e ficam ali lado a lado durante todo o intervalo, simplesmente desfrutando da presença daquele/daquela com quem querem passar todo o resto das aulas.. Daqui a pouco não será mais possível negar o envolvimento.. pelo pouco que conheço dos dois não será um amor fácil de levar adiante.. as famílias podem não aceitar.. existem diferenças de peso envolvidas ali.. mas nem por isso meu Romeu e minha Julieta adolescentes deixam de ser menos admiráveis enquanto se descobrem enamorados.. Fiquei pensando nas juras de amor que em breve irão trocar, nas manobras que terão que criar para conseguirem se ver.. e minha cabeça começou a voar.. por certo todos os amores parecem eternos.. e quando somos adolescentes tudo é tão definitivo - até que mude a estação e mudem nossos pensamentos.. Como este amor vai se desenrolar? Quantas vezes ainda passarão por este aproximar de mãos, rostos, sorrisos? Quantas vezes ainda acharão que "este sim é para sempre"? Quantas vezes serão consolados por um "para sempre" que se mostrou breve demais?? Vale à pena enxergar a esperança destes Romeus e Julietas adolescentes por detrás de suas fugidias aproximações.. quando até mesmo um recreiozinho de quinze minutos numa manhã de inverno nos mostra que vale à pena sim acreditar no amor.. em qualquer tempo, em qualquer idade..